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“A REALIDADE DO ATLETISMO DO PAÍS”

Ulisses Laurindo
Real e melancólica a análise da Professora Liliana Lohmann sobre a realidade do atletismo brasileiro, destacando os pontos vulneráveis desse esporte tão aviltado no país, mas fonte de alegria, como também, importante na formação integral dos seus praticantes, mais que, propriamente, as vitórias conquistadas nas pistas.
Qualquer militante do atletismo detecta a pobreza de algumas de suas ações, vistas, com disse Liliana, imediatista, e longe de uma programação a longo prazo. Não é de hoje que bato na tecla da necessidade do atletismo enveredar pelo caminho do progresso, de acordo com a grandeza do Brasil e sua população capaz de realizar grandes projetos de fazer inveja aos outros, que hoje não nos respeitam. Sempre disse, e não é de agora, que o atletismo se projeta como uma atividade que vai além da simples vitórias nas competições, para se situar entre as poderosas armas na inclusão social.Mas o que é feito nessa direção? paliativo.
A começar pela valorização do profissional que dá seu melhor entusiasmo para conduzir um trabalho que ele julga ideal. Falta-lhe salário conveniente para uma dedicação exclusiva. Como apontou Liliana o pouco trabalho que existe é dirigido às classes mais pobres da comunidade que, sem apoio maciço, troca a ilusão pela realidade, e aí, adeus promessa de um grande astro ou estrela. Sempre defendi a necessidade de grande número de pistas espalhadas em todo o estado e, de resto, em todo o país.Não sou ingênuo para desconhecer a dificuldade que tem o poder público para transformar uma geração, da noite para o dia.
Acredito, porém, que algo tem que ser feito, visando o futuro, a partir daí, sim, seguir um caminho para o sucesso.Permanecer na mesmice que até hoje viveu o nosso atletismo, é condená-lo à eterna expectativa de que mais tarde vamos ser uma potência olímpica, ilusão que alimentam os fracos. Até hoje o atletismo brasileiro viveu de poucos heróis que se superaram pelo talento, nunca por uma visão coletiva, capaz de produzir, não só Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, João Paulo. Chegou a hora dos dirigentes colocarem mãos à obra, respeitando compromisso que assumiram para 2016, quando o mundo terá um raio X do que tem o Brasil para mostrar.Seguir uma filosofia que englobe os ensinamentos adquiridos e se aventurar em outros maiores, é a grande tarefa de que somos todos responsáveis. Para isso, basta vontade política e aproveitar a força desse grande país.
Rio de Janeiro, 19/11/2009
Ulisses Laurindo
Assessor de Imprensa da FARJ
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